Quinta-feira, Maio 7

Pare de vender suas imagens!



Cessão de direitos ou licenciamento? É hora de começar a pensar no seu futuro.

Por Gilberto Tadday

Imagine a seguinte situação: você, fotógrafo, é contratado por uma revista para fazer o retrato do diretor de uma empresa. Como todo bom freelancer, você fica animado quando recebe o telefonema ou email do editor. O entusiasmo diminui um pouco quando você descobre o quanto eles querem pagar pelo trabalho. Hum…, você pensa um pouco e aceita. Afinal, a vida de freelancer no Brasil é difícil. É complicado recusar trabalho. Bom, você aceita, vai lá e faz o retrato do sujeito, entrega as fotos e completa o trabalho dentro do prazo e com sucesso. Chega a hora do pagamento. Na hora de enviar a nota fiscal ou o recibo, o departamento financeiro da editora lhe informa que você precisa enviar também um contrato de cessão de direitos autorais. Sem ele, o pagamento não será feito. Política da empresa. Você pesa os prós e contras, analisa as finanças e quanto ainda falta para pagar o seu mês e pensa “ok, a pessoa que fotografei não é importante, ninguém conhece, nunca mais vou publicar novamente já que em um ou dois anos ela vai estar desatualizada, as pessoas mudam” e resolve assinar. O trabalho já foi feito mesmo. Apesar de o cachê ser uma mixaria, vai fazer falta no fim do mês. Você envia. Algum tempo depois eles pagam. E a história termina bem para todos os lados. Certo? Não exatamente.

Continue imaginando, a história ainda não terminou. Dez anos se passam desde que você fez aquele retrato do diretor da empresa. Um belo dia o telefone toca e é o editor de fotografia de outra revista. Ele precisa de uma foto do tal diretor e, através do Google, achou a sua foto, aquela de 10 anos atrás. Você nem lembra do personagem, muito menos que fez a tal foto publicada na revista. No telefone, o editor lhe informa que o sujeito que você fotografou está envolvido em escândalo de proporção mundial e que é impossível fotografá-lo novamente. Também não há nenhum retrato recente dele. Só a sua foto. E ele paga bem porque quer dar a foto na capa. O que você faz? Acertei na loteria, você pensa. Mas só por alguns segundos. O próximo pensamento que lhe vêm à mente é o maldito CCDA que você concordou em assinar para receber aquela mixaria. Você respira fundo, tentando afogar a frustação, e informa ao editor que ele precisa contatar a revista que originalmente publicou a foto. Eles é que detém os direitos de reprodução da imagem. Quanto você recebe no final das contas quando a imagem é publicada na capa da outra revista? Nada. Quanto você recebe quando outras publicações também usam a mesma foto? Zero.

Agora você deve estar pensando “fala sério, isso nunca vai acontecer”. Ok, talvez não aconteça toda hora. Mas acontece. E quando você menos espera. É o caso do fotógrafo Jonathan Saunders, que vive e trabalha aqui em NYC. Em 1999, no começo de sua carreira, ele fotografou um investidor chamado Bernard L. Madoff para a revista Fortune. Em dezembro do ano passado, um editor de fotografia do The Wall Street Journal liga para Saunders à procura de uma das fotos feitas naquela sessão de 1999 para publicar no jornal. O fotógrafo não entendeu muito bem o interesse por uma foto feita 10 anos antes. Mas em questão de poucas horas a notícia sobre o “Ponzi Scheme” conduzido por Mr. Madoff estourou na imprensa e Saunders percebeu a mina de ouro que tinha na mão. Até hoje, além do WSJ, as imagens já foram publicadas também no Daily News, na capa da revista Portfolio e em várias publicações estrangeiras. Quem recebeu pelo uso das imagens nestas publicações? O fotógrafo. Por quê? Porque por aqui ninguém topa assinar CCDA. O cachê do trabalho cobre a realização das fotos e a publicação de uma imagem, uma só vez (e só na versão impressa, se foram eles que contrataram). Se forem publicadas outras imagens na mesma matéria, a revista paga a mais. E o valor é calculado de acordo com o espaço ocupado pela imagem na página. Um parênteses: anúncios de publicidade em jornais e revistas não são calculados de acordo com a circulação e tamanho do anúncio na página? Ok, estou entendendo… Voltando. Além disso, existe um período de embargo em que o fotógrafo não pode publicar as fotos em nenhum outro veículo. Em geral, 6 meses. Depois disso, as mesmas imagens podem ser publicadas em qualquer veículo, inclusive na concorrência, se o fotógrafo quiser. E isto acontece porque aqui ninguém “vende” fotografias. Aqui, as imagens são licenciadas. Ou seja, o jornal ou revista paga pelo direito de usar a imagem em uma determinada edição. E paga de acordo com este uso, de acordo com a área impressa. Eles não passam a ser donos da imagem. Nem quando eles contratam o fotógrafo para cobrir a pauta. Algumas empresas tentam, mas em geral não levam.

No Brasil, esta prática já existe há muito tempo no mercado publicitário. O uso de imagens tem tempo limitado e o fotógrafo é pago de acordo com a circulação, área impressa, região e tempo de veiculação. Por que no jornalismo não é assim também? Os anunciantes que compram espaço publicitário em um jornal não pagam de acordo com o tamanho do anúncio? Uma propaganda na capa custa o mesmo que uma nas páginas internas? Na última coluna, sugeri alguns tópicos para discussão. Este é um deles. Nos comentários, Eduardo Queiroga e Claudio Versiani também sugeriram tópicos interessantes para debatermos. Este é um assunto que todo fotógrafo deveria pensar e discutir. Estamos longe de mudar completamente esta realidade? Sim, mas temos que começar algum dia. Principalmente se quisermos continuar vivendo da fotografia editorial e jornalística.

Jonathan Saunders e Bernie Madoff no NY Times aqui. No BagNews Notes aqui. E no State of the Art aqui.
E mais sobre Jonathan Saunders aqui.


Fonte: Picturapixel

Sábado, Abril 18

Estudo

Esboço de modelo vivo feito hoje. Adicionei uma cor digitalmente como estudo.

Segunda-feira, Abril 13

Sketchcrawl Brasília

No último sábado, dia 11 de abril, aconteceu o 22º Worldwide Sketchcrawl, momento em que desenhistas de várias partes do mundo se reúnem para desenhar na rua. Neste dia, ocorreu o primeiro Sketchcrawl em Brasília, já contando com mais de 30 participantes. Pela manhã, nos instalamos na Praça dos Artistas, no SCS, onde todos procuravam algo legal para desenhar ao tempo em que um carro de som tocava uma propaganda de seguro de vida infinitas vezes - o anúncio se repetiu por umas 2 horas seguida, talvez mais. À parte da poluição sonora, a poluição visual oferecia motivos diversos para os desenhistas, que retratavam pessoas, muros, carros, prédios, antenas... até um casal se abraçando não fugiu ao olho de um artista; nem mesmo um travesti que dormia no banco da praça.
Gostei bastante de ter ido e espero ansioso pelo próximo encontro!





















Eis alguns dos meus esboços não muito inspirados:






































Se você quiser ver mais desenhos, acesse o grupo no Flickr: http://www.flickr.com/groups/sketchcrawlbrasilia/

Terça-feira, Março 31

Evolução

Eu estava observando a galeria do ilustrador Marek, da Polônia, no site Deviantart e vi seus desenhos mais antigos, de 2004, que ele, por algum motivo, não chegou a excluir:









































Eu fiquei impressionado, porque os desenhos que costumam aparecer em sua galeria atualmente são estes abaixo. Por um instante, achei que não eram da mesma pessoa, porque ele não só elevou à potência sua qualidade técnica, como também deixou de lado o traço "mangá" em troca de algo mais realista, o que acusa sua súbita decisão de "quero mudar meu estilo".












































O mais interessante disso é perceber que essa evolução ocorreu em 5 anos. É um tempo razoável, na verdade, mas o "antes/depois" contraria aquele pensamento que nos é plantado depois que aprendemos sobre os gênios da pintura na história da arte: "ele já era um mestre do desenho quando era criança, por isso hoje é assim." Não, não. Mágica não existe, é tudo um truque.

Moral da história
O "truque" é a técnica. Marek deve ter achado a chave certa, algo que sempre procuramos, para abrir a porta adequada. Eu fico pensando então como a técnica é decisiva no trabalho de ilustração. Por isso sempre é bom experimentarmos outros métodos, até acharmos aquele que torna o nosso trabalho mais bonito conforme o nosso estilo. Uma simples mudança na qualidade do papel, uma textura acidental de um "brush" do Photoshop, um jeito de pegar no lápis etc. tudo isso, esse método/medium, pode mudar drasticamente o resultado/fim da nossa ilustração. E quanto mais discreto for o truque, maior é a mágica.

Quinta-feira, Março 12

Geselecteerde deelnemer









Ontem chegou uma carta. Fui selecionado para o Salão/Festival de Cartum Knokke-Heist, na Bélgica. Foram 4 brasileiros e, ao todo, 89 cartunistas do mundo inteiro . Pena eu não poder ir conferir pessoalmente.

Eu não posso deixar as notícias boas passarem vazias!

Ah, o cartum? Desculpe, mas não sei se devo mostrar, hehe.

Até a próxima!

Domingo, Março 8

Cybersix

Alguém já assistiu a este desenho, Cybersix, que passava há muitos anos na TV à cabo - no canal HBO?
Acho que só existiu uma temporada e nunca mais retornou. Nunca foi muito conhecido, e aposto que ninguém vai saber ou se lembrar.
Eu não só adorava assistir como ainda hoje sinto um conforto inexplicável nos traços e cores desses cenários e personagens - até do som eu gosto.



















A história é uma versão incomum do comum: A heroína, quando está disfarçada, assume uma aparência de homem, se passando por um tipo de Clark Kent andrógino.
Assistam:


Até!

Segunda-feira, Fevereiro 23

Royal Mcgraw

Oi, pessoas

Atualmente estou desenhando e finalizando a revista em quadrinhos Pulp Will Eat Itself, um projeto meio independente de Chicago. E, para minha surpresa, fui mencionado duas vezes no blog do roteirista com que estou trabalhando, Royal Mcgraw. Vejam aqui.
















Infelizmente, não estou podendo postar amostras das páginas aqui. Então deixou somente a notícia e um esboço.

Até mais!

Terça-feira, Janeiro 20

Novas

Oi,

Aqui está o último trabalho de 2008. Ilustração para a revista Rolling Stone, de dezembro. É o Marcelo D2.























E o primeiro rabisco de 2009, esboço para o personagem da HQ que estou desenhando.















Eu ia escrever uma dissertação aqui... Desculpem, mas estou meio cansado agora. Fica para a próxima. Prometo criar posts mais interessantes.

Até!

Segunda-feira, Dezembro 22

Batman
















Esboço feito em uns 15 minutos, para não perder a prática.
Inspirado em Batman Dark Night.
Eu devia ter feito o Coringa...
Hm...

Quinta-feira, Dezembro 11

Steampunk

Mais um concurso CG challenge. Agora com o tema Steampunk.



Estou fazendo meu desenho sobre piratas. Não estou gostando muito, mas, sendo aos pouquinhos, pode até melhorar. Dá para acompanhar passo a passo aqui.



















Até o próximo post, ainda este ano.